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  • Márcio Bortolusso

As lendas locais podem ser bem mais do que lendas!

Atualizado: 22 de Jun de 2019

"Nem adianta fugir do búfalo asselvajado, ele te alcança e só para quando te matar!" "Se a mão tiver engordurada a piranha pega, já matou alguns." "Daí a onça grudou na cara dele e ele só saiu vivo pois..." "Com sorte vocês vão encontrar sucurijus com quase 10 metros." "Tem muita cobra, escorpião e aranha venenosa nesses mato..." "A descarga do poraquê pode matar até um búfalo." "No Arari toda semana alguém é ferroado por arraia, eu mesmo já levei mais de 10 desde criança." "Mas vocês precisam tomar cuidado mesmo é com o jacaré-açu, pois aonde vocês pretendem passar ainda tem e ele ataca e vira a canoa!"

Após anos pesquisando e conversando diretamente com caçadores, mateiros, pescadores e outros ribeirinhos descobrimos que, além dos cuidados gerais adotados em uma expedição deste porte, realmente precisávamos ter uma atenção especial com o temido açu (Melanosuchus niger), maior espécie de jacaré, com exemplares que podem chegar a quase 6 metros e mais de meia tonelada, predador de topo de cadeia alimentar que chega a matar até onças e jiboias.

Já tive a oportunidade de fotografar espécies de jacaré-do-pantanal e do papo-amarelo tranquilamente a menos de um metro de distância, mas o histórico do açu (inúmeros ataques por toda a Amazônia, com cenas fortes no Google) nos fez tomar algumas contingências extras nos embarques e desembarques, especialmente quando nos embrenhávamos nos igarapés mais isolados e fechados.

Alguns moradores das cidades nos afirmaram que o açu estava extinto na região do rio Anajás (um dos rios que cruzamos), mas na noite desta primeira foto a Fernanda viu "um grande tronco afundar com violência poucos metros à nossa frente" e um conhecido nos enviou estas tristes imagens de um belo exemplar que foi abatido por seu amigo exatamente na nossa última semana em uma área bem próxima da que percorremos.

A não ser que esteja seguro em um forte barco a motor em áreas movimentadas, se for realizar uma expedição verdadeiramente "crua" na Amazônia sugiro pesquisar mais a fundo cada uma das lendas locais... podem ser bem mais do que lendas!


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